A Aldeia Inhaã-bé, localizada na região metropolitana de Manaus, no Amazonas, ganhou a sua primeira sala de exibição no último dia 1º de fevereiro. A comunidade indígena do Tarumã-Açu, que já serviu de cenário para produções nacionais e internacionais e recebeu oficinas de cinema, agora conta com o Cine Aldeia. O projeto, financiado com R$ 100 mil provenientes da Lei Paulo Gustavo via edital da Prefeitura de Manaus, por intermédio do Conselho Municipal de Cultura, foi construído para exibir produções realizadas por indígenas.
A produtora Thaís Kokama, que cursou Rádio e TV, afirma que o espaço possibilita à comunidade protagonizar sua própria história por meio do audiovisual. “Toda vez que produções eram gravadas na aldeia, nós éramos cenário. Daí nasceu o desejo de sermos protagonistas da nossa história. Por meio do audiovisual e do cinema nós iremos contá-la”, explica.
Na inauguração do Cine Aldeia, foram apresentados o documentário “Traços da Resistência”, dirigido e produzido por Thaís, e oito curtas-metragens que estarão em cartaz nos primeiros meses. E a comunidade também aderiu ao clima do Oscar: no próximo dia 28, um “ritual da vitória” será realizado em comemoração às indicações do filme “Ainda Estou Aqui”. A cerimônia de premiação será transmitida ao vivo no Cine Aldeia em 2 de março.
Mais cinema também em Goiás e no Rio Grande do Sul
Em Anápolis, Goiás, um antigo prédio que já abrigou o primeiro fórum da cidade e a prefeitura passou a sediar a primeira sala pública de cinema do município e do interior do estado. O Cine Sibasolly, inaugurado em abril do ano passado com recursos de R$ 121 mil obtidos por meio do projeto Cinema para Todos, aprovado no edital municipal da Lei Paulo Gustavo, opera na Galeria Sibasolly, no Centro Cultural Ulysses Guimarães.
De acordo com Luiz Fragelli, produtor do projeto, a sala tem sido utilizada para exibições de filmes nacionais e regionais, parcerias com cineastas locais, sessões semanais e eventos diversos, como oficinas, palestras e reuniões. Com capacidade para 55 pessoas, o espaço também é utilizado em parceria com a universidade local, recebendo alunos de escolas públicas para sessões mediante agendamento.

No Rio Grande do Sul, o projeto itinerante RodaCine retomou suas atividades após dez anos, com apoio da Lei Paulo Gustavo. A partir da reestreia em Jaguarão, em 30 de janeiro, o projeto passou por São Lourenço do Sul, Pelotas e Rio Grande, Mostardas e Tramandaí. Em cada município, o RodaCine exibe, em espaços públicos, curtas e longas-metragens, além de pilotos de séries produzidas localmente. A programação inclui produções de diversos gêneros, que são acompanhadas por mediação de realizadores e agentes culturais.
Segundo Mariana Martínez, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, o retorno do projeto, por meio do financiamento da Lei Paulo Gustavo, exemplifica os impactos das políticas públicas na cultura nacional, contribuindo para os arranjos produtivos locais, a geração de emprego e renda e o acesso da população à cultura. A iniciativa é realizada pela Fundação de Cinema RS (Fundacine) e conta com recursos de R$ 300 mil provenientes de edital estadual, além de apoio da Netflix Brasil.
Além das exibições, o projeto promove atividades formativas, com palestras sobre o ofício audiovisual e políticas públicas, e oficinas introdutórias à linguagem audiovisual, todas gratuitas. Em 2025, o RodaCine deverá percorrer 20 municípios do interior, com exibições voltadas exclusivamente para produções gaúchas.
Com informações do Ministério da Cultura.