Permitir que a protagonista percorra todo o processo de amadurecimento e transformação com complexidade, prazer e alegria é o que torna “Emilia Perez” um filme tão satisfatório.
No seu trabalho mais maduro como diretor, Sean Baker constrói o tom delicado e arriscado do filme, combinando a abordagem semidocumental de sua câmera e de sua mise-en-scène com o caráter farsesco da trama.
Longa do diretor iraniano Mohammad Rasoulof (“Não Há Mal Algum”) olha para um Irã em transformação, com um regime em franca derrocada, e enxerga na juventude, especialmente feminina, a única força capaz de conduzir o país para o futuro.
Exibido na Semana da Crítica, no 77º Festival de Cannes, longa-metragem do diretor mineiro Marcelo Caetano (“Corpo Elétrico”) tem como ideias centrais a importância do grupo, do coletivo e, em última instância, da família.
Nesta edição do podcast, nós vamos até a Riviera Francesa para saber tudo sobre o 77º Festival de Cannes. O Cinematório participou do evento pela primeira vez, com o crítico Daniel Oliveira credenciado pelo site para fazer a cobertura. Ele nos conta como o festival funciona, comenta o resultado da premiação e diz quais foram seus filmes favoritos.
Reunindo um amontoado de clichês já vistos melhor executados em outras produções, o misto de policial e romance do cineasta Gilles Lellouche já seria difícil de justificar como uma sessão hors concours, mas na competitiva oficial é um verdadeiro constrangimento para o festival.
O cineasta luso Miguel Gomes revisita o imaginário colonial de “Tabu”, inclusive com a mesma fotografia em preto e branco, desta vez colocando inusitadamente atores portugueses interpretando personagens ingleses numa espécie de road movie pelo sudeste e leste asiático no início do século XX.
Se em “A Vida Invisível”, Karim Aïnouz tropicalizou o melodrama, em “Motel Destino” ele faz o mesmo com o noir, trocando o contraste de luz e sombra do gênero clássico pelas cores fortes e o sol ardente do Ceará.
Dirigido por Christophe Honoré e estrelado por Chiara Mastroianni e Catherine Deneuve, “Marcello Mio” é uma espiadela nos bastidores do cinema europeu dos últimos 100 anos – e quem tem interesse por, ou mesmo conhece, as histórias e as relações entre esses diversos nomes vai se deliciar com o filme.
Ao tentar evitar certa sentimentalidade barata, o diretor Paolo Sorrentino privilegia apenas uma beleza fria que priva “Parthenope” de uma emoção e uma humanidade que cativem o público para além da admiração estética.